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quinta-feira, 5 de abril de 2012

Iansã

 

Nenhum vento poderá desviar a minha barca…

Nenhum raio mudará o meu caminho…

Eparrei Oyá!


Sinta a Energia e Vibração Positiva, e o que realmente significa Iansã na Umbanda.

Iansã é a Deusa da Tempestade, do Fogo e da Sensualidade.

Simboliza as mulheres guerreiras e todas as pessoas que têm determinação e vivacidade. Destemida e justiceira, teme nada. Mostra o seu amor e sua alegria contagiante na mesma proporção que exterioriza a sua raiva e o seu ódio.

É a mulher que acorda de manhã, beija os filhos e sai em busca do sustento. Capaz de grandes esforços para conquistar os homens e para proteger seus rebentos. Sabe conquistar, seja no fervor das guerras, seja na arte do amor.

É o retrato da mulher dos Séculos 20 e 21, a mulher batalhadora que vende quitutes no mercado para sustentar seus noves filhos.

Iansã é a Paixão
Paixão violenta, que corrói, que cria sentimentos de loucura, que cria desejo de possuir, o desejo sexual. É a volúpia, o clímax, é o desejo incontido, o sentimento mais forte que a razão.

É o Orixá que faz nossos corações baterem com mais força e cria em nossas mentes os sentimentos mais profundos, abusados, ousados e desesperados. É o ciúmes doentio, a inveja suave, o fascínio enlouquecido.

Iansã é o Vento
É agitada como próprio vento, extrovertida e sensual como poucas.

Vento e brisa que alivia o calor, no entanto é também o calor, a quentura, o abafamento. É o tremular dos panos, dos cabelos, que arranca árvores, derruba casas, sustenta o fogo, espalha sementes.

Iansã é Transformadora
Tem também ligação com a floresta, onde se esconde, entra como mulher e se transforma num búfalo, cujo animal considerado Sagrado  e Nobre por muitas tribos, pela sua carne que alimentava o povo, o couro que fornecia suas roupas e abrigos, os ossos que fornecia suas ferramentas.

Propícia a caça e alimento abundante.

Iansã é o Fogo
É a quentura, o aquecimento, o aconchego e a proximidade. O fogo das paixões, da alegria, o fogo que dá a faísca, o impulso de temperamento forte, sensual e autoritário.

É a lava vulcânica destruidora, a devastação e o incêndio pelas chamas.

Iansã é o Raio
É a beleza desse fenômeno natural, é o seu poder, a sua eletricidade. É o choque elétrico, a energia que gera o funcionamento de rádios, televisões e máquinas.

Iansã esta presente no ato simples de acendermos uma lâmpada ou uma vela, é a energia viva, pulsante, vibrante. Orixá intimamente ligada aos avanços tecnológicos

Iansã é a Senhora dos Espíritos – dos Mortos
Senhora dos eguns. É ela que servira de guia, quem indicará o caminho, ao lado de Obaluaiê, para aquele espírito que se desprendeu do corpo.

Iansã Percorre Vários Reinos Para Aprender
Um pouco de Lenda...
Foi a paixão de Ogum, Oxaguian, Exu. Conviveu e seduziu Oxóssi, Logun-Edé e tentou em vão, relacionar-se com Obaluaiê.

Em Ifé, terra de Ogum, foi a grande paixão do guerreiro. Aprendeu com ele e ganhou o direito do manuseio da espada e o direito de usá-la. No auge da paixão por Ogum, Iansã partiu, indo a Oxogbô, terra de Oxaguian, aprendeu e recebeu o direito de usar o escudo para se proteger. Quando Oxaguian estava tomado de paixão por Oyá, ela partiu.

Pelas estradas deparou-se com Exu, com ele se relacionou e aprendeu os mistérios do fogo e da magia. No reino de Oxóssi, seduziu o Deus da caça, aprendendo a caçar, tirar a pele do búfalo e se transformar naquele animal com ajuda da magia aprendida com Exu.

Seduziu o jovem Logun-Edé, filho de Oxóssi e Oxum com ele aprendeu a pescar. Oyá partiu, para o reino de Obaluaiê, pois queria descobrir seus mistérios e até mesmo conhecer seu rosto. Uma vez chegando ao reino de Obaluaiê, Iansã tratou de insinuar-se:

- Como vai Senhor das Chagas?

Obaluaiê responde:

- O que Oyá quer em meu reino?

Por sua vez Iansã responde:

- Ser sua amiga, conhecer e aprender, somente isso. E para provar minha amizade dançarei para você a dança dos ventos! (Dança da qual Iansã usou para seduzir reis como Oxóssi, Oxaguian e Ogum).

Durante horas Iansã dançou, sem emocionar e sequer atrair a atenção de Obaluiê, incapaz de seduzi-lo, Obaluiê jamais se relacionou com ninguém, Iansã então procurou apenas aprender, fosse o que fosse, assim dirigiu-se ao homem palha:

- Obaluaiê, com Ogum aprendi a usar a espada, com Oxaguian o escudo, com Oxóssi a caçar, com Logun-Edé a pescar, com Exu os mistérios do fogo. Falta-me apenas aprender algo contigo. Obaluaiê por sua vez:

- Você quer aprender mesmo, Oyá? Então ensinarei como tratar os mortos!

De inicio Iansã relutou, mas seu desejo de aprender foi mais forte e com Obaluaiê, aprendeu a conviver com os eguns (espíritos de baixa luz) e a controlá-los. Partiu então Oyá para o reino de Xangô, lá acreditava que teria o vaidoso dos reis e aprenderia a viver ricamente. Mas, ao chegar ao reino do Deus do trovão, Iansã aprendeu muito mais que isso… Aprendeu a amar verdadeiramente e com uma paixão violenta, pois Xangô dividiu com ela os poderes do raio e deu a ela seu coração.

Iansã Relação com os Astros
Marte

Faz referência à energia do Fogo

Ativa, Corajosa e Energética

Simboliza também a energia criativa associada ao animais, bem como o instinto de competição e a capacidade de impor nossa vontade. Revela a potencialidade para decidir, impulsionar, desbravar, penetrar, interferir, lutar. Marte sustenta e afirma a individualidade, promove a ação. Pode conduzir a competição, a luta, é com Marte que a pessoa tem energia e inteligência para enfrentar  seus desafios e realizar seus propósitos.

Júpiter

Faz referência à energia do Ar

Ponto de Expansão da Alma

Representa o poder, a autoridade, a sabedoria e a razão, ponto de expansão da alma. Júpiter apresenta-se como uma pessoa otimista, sábia e cuja autoridade não precisa ser imposta pela força, pois ela impõe-se por si só.

 

Mercúrio

 

Faz referência à energia do Movimento, Comunicação e Eloquência

 

Mercúrio teve o seu nome atribuído pelos romanos baseado no mensageiro dos Deuses, de asas nos pés, porque parecia mover-se mais depressa do qualquer outro planeta. Deus Mercúrio é o mensageiro do Deus Júpiter.

 

Mercúrio é o planeta mais próximo do Sol, esta entre o Sol e Vênus e pode ser visto a olho nu, ao amanhecer e ao entardecer. A temperatura na superfície do lado mais próximo ao Sol chega a 427 graus Celsius, uma temperatura quente o suficiente para derreter estanho. No lado oposto, ou lado da noite, a temperatura desce a -173 graus Celsius.

 

Lua

 

Faz referência à energia Feminina, Magia, Mudança – Influência Direta


A Lua é o nosso satélite, um pouco a nossa segunda casa no espaço, é o único satélite natural da Terra e tem uma influência direta sobre a Terra e sobre nós seres humanos. É o segundo astro mais brilhante nos céus. Considerado um planeta telúrico de pleno direito.

Ligada as energias femininas e emocionais mais profundas, está associada ao sonho, à imaginação, ou algo, que primeiro fica incubado para surgir noutro momento como a gestação, que é feita na escuridão.

A Lua é o pêndulo da Terra, exerce influência irrefutável, não só sobre nosso planeta, mas também na psique e no espírito humano. Dentro da magia e desde tempos remotos aprendeu-se a reconhecer e utilizar os poderes mágicos da Lua, é um dos elementos mais importantes na análise astrológica, pois governa nossos instintos mais básicos e primários, nossa maneira intuitiva de ser, nosso lado mais sensível e emocional.

A Lua simboliza nossa alma, nossos sonhos, nossas fantasias e outras manifestações do “Eu” profundo e inconsciente.

 

Significados

·       Nome Iansã: Mãe nove vezes
·       Iansã Oyá: Oyá relaciona-se com todos os elementos da natureza.
Oyá é puro movimento, não pode ficar parada para não extinguir sua energia. O vento nunca morre, ele está sempre percorrendo novos espaços.
·       Saudação: Eparrei-Oyá! (Êpa-hê-Oyá)
Èépàà – representa uma recomendação de calma, expressando quase terror diante de um poder incontrolável para o homem.
Heyi – é a reprodução do brado gutural emitido por Oyá quando, incorporada em seus filhos identifica-se aos presentes.
·       Ponto de Força: Bambuzal, pedreira, beirada do mar, cachoeira, cemitério, sempre em campos abertos.
·       Dia da Semana: Quarta-feira juntamente com Xangô.
·       Elementos: Vento, chuva, tempestade, raio e fogo.
·       Cores: Vermelho, amarelo e coral
·       Pedras: Citrino, Topázio Imperial  e Âmbar

 

Instrumentos

Eruxin

 

Eruexim ou iruexim, chibata feita de rabo de cavalo e/ou búfalo atado a um cabo de osso, madeira ou metal que Iansã segura em uma das mãos quando dança para impor respeito, proporcionar vento e espantar e/ou encaminhar os eguns (espíritos de baixa luz), é o signo de poder Ioruba.

 

Espada Flamejante


De cobre, que faz dela a guerreira do fogo.

Cobre o elemento metálico, de cor característica castanho-avermelhada, univalente e bivalente, maleável, condutor de eletricidade e de calor.

 

Dois Chifres de Búfalos


Símbolos de virilidade que proporciona a fecundidade e quando emitem som.

Quando Iansã deixa Ogum e decide voltar para floresta dá a seus filhos os chifres para que possam bater em caso de necessidade, com esse sinal ela iria socorrê-los imediatamente. E por esse motivo os chifres estão presentes nos assentamentos de Iansã.

 

Algumas Ervas de Iansã

  • Alecrim-do-Campo
  • Alface
  • Altéia
  • Bambu
  • Cambuí Amarelo
  • Cravo-da-Índia
  • Eucalipto-Limão
  • Gengibre
  • Louro
  • Urucum

Sincretismos

Aqui será somente um resumo dos sincretismos com Iansã, pois são assuntos para matérias futuras.

 

Deusa Têmis

Deusa grega guardiã dos juramentos e da lei. Seu nome significa  “Aquela que é posta, colocada”.
Filha de Urano (o céu, o paraíso) e de Gaia (a Terra), criada juntamente com Nêmesis (Deusa da Ética). Segunda esposa de Zeus, tinha três filhas:

Eunômia (a Disciplina), Diké (a Justiça) e Eiriné (a Paz)
Além do poder de Atração de sua Dignidade, Têmis também tem como atributo sua Grande Beleza.

 

Deusa Maat

Na mitologia egípcia, Maet ou Maat, filha de Rá é a Deusa da Justiça e do Equilíbrio. É representada por uma mulher jovem exibindo na cabeça uma pluma. Com a pena da verdade ela pesava as almas de todos que chegassem ao Salão de Julgamento subterrâneo.

 

Valquírias

Na mitologia nórdica (também  chamada de mitologia germânica, mitologia viking ou mitologia escandinava), as Valquírias eram deidades menores, servas de Odin.

O termo derivado do nórdico antigo Valkyja em sua tradução literal significa “As que escolhem os que vão morrer“.

As Valquírias eram belas e jovens mulheres que montadas em cavalos alados e armadas com elmos e lanças, sobrevoavam os campos de batalha escolhendo quais guerreiros, os mais bravos, recém-abatidos entrariam no Valhala (local onde os guerreiors vikings eram recebidos após terem morrido, com honra em batalha).

 

Santa Bárbara

Protetora contra os Relâmpagos, Tempestades e Protetora dos Mineiros.

Era o século III… Diocleciano, governador da Nicomédia (Ásia menor), procurava controlar a crise de seu Império, nessa época, crescia muito o número de cristãos, inclusive entre famílias nobres.

Isto aconteceu na família de Bárbara, uma jovem bela e de condição nobre. Seu pai, Dioscuro, era um alto funcionário do Imperador, e para ele apenas a vontade do Imperador era o que deveria seguir. Bárbara, porém, acreditava no Amor e num Mundo mais Humano e Mais Justo.

 

Joana D’arc

A guerreira que era orientada por Vozes de Santos.

Joana D’arc foi uma das mulheres mais importantes, forte e guerreira que o mundo já conheceu. Nasceu em 1412  na França, pertencia a uma família de camponeses, foi educada para ser uma boa esposa e era praticamente analfabeta. Ao completar 13 anos a jovem ouve uma voz (de São Miguel), que lhe fala da desgraça  que há na França e a incentiva a ajudar o Rei Carlos VII.

São Miguel, Santa Catarina e Santa Margarida, serão as companhias de Joana D’arc.

 

Maria Madalena

A grande Discípula e Companheira do Salvador.

Maria Madalena é citada como aquela da qual foram expulsos sete demônios, e falava-se uma mulher pecadora e considerada pela igreja católica “A Prostituta” (que anos depois a igreja mudou retirando o termo e a ofensa) que ungiu os pés de Jesus. Maria Madalena estava juntamente com a Virgem Maria aos pés da cruz, na agonia da crucificação e foi ela também quem viu o Cristo ressuscitando.

Maria Madalena é, com certeza uma das personagens mais enigmáticas do Novo Testamento.

Falar sobre Iansã é assunto para um livro como de qualquer outra divindade, coloquei os pontos mais importantes sobre este Belo Orixá, espero que apreciem!

          Fonte: Trechos retirados da apostila referente ao estudo: 
          LENDAS, RITUAIS E OFERENDAS DOS ORIXÁS 
         Escrito e Ministrado por Mãe Mônica Caraccio – Umbanda Carismática





Por que o Estalar dos Dedos?






Por que as entidades estalam os dedos, quando incorporadas?
Esta é uma das coisas que vemos e geralmente não nos perguntamos, talvez por parecer algo de importância mínima.
Nossa mãos possuem uma quantidade enorme de terminais nervosos, que se comunicam com cada um dos chacras de nosso corpo:
Dedo Polegar Chacra Esplênico (região do baço)
Indicador Cardíaco (coração)
Anular Genésico ou básico (base da espinha)
Médio Coronal (alto da cabeça)
Mínimo Laringeo (garganta)
Na região quase central da mão Chacra Solar (estômago)
Próximo ao monte de Vênus (região “gordinha” da mão) Chacra Frontal (testa)
Estas são algumas das terminações nas palmas das mãos, apenas para ilustrar a correspondência existente.
O estalo dos dedos se dá sobre o Monte de Vênus e dentre as inúmeras funções conhecidas pelas entidades, está a retomada de rotação e freqüência do corpo astral, descarga de energias negativas, alem de certas condições psíquicas particulares, que ativam faculdades propiciatórias à magia e à mecânica de ordem astral.
(Procura-se o Autor)




quinta-feira, 29 de março de 2012

Conduta para o Amaci

Vovó fala sobre a Conduta para o Amaci*

- Vovó Maria Conga- "Meus filhos. Aproxima-se omomento de realização do amaci, que como todos sabem é oportunidade sagrada dereencontro com os guias dentro da faixa vibratória do orixá regente de cada um.Saudemos nanã, orixá que nos sustenta na magia desde a fundação desta choupana.Que seu axé – força - se faça presente em cada um dos presentes. Nanã, mãegrandiosa da magia dos orixás, vibratoriamente reside nas águas paradas dosfundos dos lagos e em todas as nascentes aquosas planetárias. Simbolicamenterepresenta as águas primordiais que Deus criou e usou na terra, formando àlama, o barro para moldar os corpos e abrigar neles os espíritos que habitam oplanetinha azul, assim como o sopro enche um balão. Que as águas sem movimentodo fundo dos lagos acalmem as agitadas mentes de vocês e fixe-as naestabilidade da criação. Deus cria incansavelmente e está sempre junto de suascriações. Antes de mergulharem no fundo do lago límpido do espírito, deixem nabeira, no encontro das marolas com a areia, ali onde as folhas secas que caíramdas árvores formando uma pasta lodosa e putrefata, fazendo-se húmus nutrientepara as flores e ervas ribeirinhas, as negatividades de cada um de vocês,aquilo que mais os incomoda para que a força transformadora da natureza, aotornar as folhas secas em potente adubo, ao mesmo tempo purifique e nutra oscorpos e chacras dos filhos para o encontro sagrado que acontecerá em brevedurante o amaci. Todavia, qualquer energia da natureza se torna estéril e semefeito se não acompanhada da conduta moral elevada e dos atos contínuos nabusca da manutenção do estado elevado da alma. Vigiem mas não fiquem “só” navigilância, igual ao pássaro que tem asas e não voa. Tenham atitudes e açõesdiárias compatíveis com o que receberão durante os próximos dias libertando-seda gaiola que os prende a si mesmos. É na consciência de cada um que reside àperenidade do espírito. Salve todos os pretos, pretas, tios, tias, vovôs evovós da nossa umbanda amada. Salve a magia africana ancestral e o nosso senhorJesus Cristo."

* Nota - Amaci: muitoresumidamente, podemos dizer que é um banho de ervas maceradas que é feito nacabeça do médium para fortalecimento do seu tônus mediúnico. Se Jesus foibatizado por João Batista, à beira do Rio Jordão, para que a sua coroamediúnica vibrasse em toda a sua potencialidade com o Cristo Cósmico, quemsomos nós para dispensar o amaci, que também é um tipo de batismo na Umbanda.

"A todos que olham, a todos que estão aqui,
Muita atenção hoje é noite de amaci.
Filhos de fé respeitai o pano branco,
Babalaô, preparou seu banho Santo.
Filhos de fé, respeitai pemba e congá,
Dentro da Lei, vem saudar teu Orixá.
Saravá Ogum,
Tenho a cabeça lavada,
Fiz meu batismo na Umbanda,
Hei de louvar os meus Guias..."


Texto extraído do siteGrupo de Umbanda Triângulo da Fraternidade.
Fonte:  http://aalmadascoisas-annapon.blogspot.com/

quarta-feira, 28 de março de 2012

Umbanda não faz Milagre. Faz Caridade!

É fato comum chegarem aos terreiros pessoas extremamente deprimidas, adoentadas ou desesperadas pelo fato de não encontrarem em nenhum outro lugar o remédio para seus males. Já passaram por consultórios médicos, igrejas, milagreiros de todas as espécies. Em todos os lugares, foram deixando sua história registrada, acrescida de decepção e gastos financeiros além da conta.

Com a promessa e a busca de “milagres”, pagaram dízimos ou oferendas, tentando terceirizar a solução de seus problemas ou de sua suposta “má sorte”. E enquanto seu saldo bancário e sua fé diminuem, sua decepção e dor aumentam.

O local que não cobra pela caridade geralmente leva a fama de ser “muito fraco”, pois infelizmente as pessoas ainda têm a falsa concepção de que “se não cobrar e bem cobrado, a coisa não funciona”. Além disso, há os que necessitam vivenciar o “fenômeno” para que sua fé tenha fundamento.

“Imagina... guia que fica só aconselhando, mandando rezar e mudar a maneira de pensar...”.

Como bem fala o ditado popular: “só quando a água bate onde não deve é que se aprende a nadar”. Assim, só como último recurso, no desespero total, é que eles batem à porta da Umbanda. Mesmo descrentes, buscam o milagre, chorosos e vitimados pela vida. Ajoelham-se na frente do preto velho ou do caboclo e derramam lágrimas, dedilham rosários de reclamações, tentando convencê-los de que a culpa da desgraça é de todo mundo, menos deles próprios. Acolhidos com todo amor pelos guias de luz, não recebem promessa de milagre, apenas a exigência de uma gradual reforma íntima, aliada a mandingas que os limpam do lixo energético que conseguiram agregar ao longo do tempo.

Saem dali bem melhores do que entraram, quase sempre voltam e aos poucos compreendem que o milagre estava dentro deles próprios.
Não faltarão nessa lista os que, após a melhora, voltam a freqüentar os bancos da igreja aos domingos, exibindo saúde e roupas novas. Quando não, transformam-se em carregadores de bíblia, passando a combater ferrenhamente aqueles por quem foram ajudados. Jamais vão admitir que um dia entraram num terreiro de Umbanda – coisa do capeta.

O que será que os Pretos Velhos e Caboclos pensam disso?

Um dia desses fiz essa pergunta à Vovó Benta:

– Zi fia, nosso trabalho é a caridade e quem se dispõe a ela, esteja encarnado ou no mundo dos mortos, tem de saber que o “dar gratuitamente” sempre é motivo para darmos “graças” pela oportunidade de servir ao Criador, à sua obra. Ajudar esses filhos desnorteados é construir pontes entre o céu e a terra. Nunca podemos ou devemos esperar qualquer recompensa pelo bom serviço, a exemplo do Criador que distribui raios de luz ou gotas de água todos os dias a todos, bons e maus. O que cada filho fará com as dádivas recebidas só a ele cabe definir, escolhendo assim seu futuro. Sigamos fazendo o bem sem olhar a quem e façamos isso com a alegria de quem sobe os degraus para o céu, sem ter de pagar por isso com lágrimas ou moedas falsas. Lembre-se, filha, de que servir com alegria é servir duas vezes.

– Servir duas vezes?

– Sim, duas vezes. A você mesmo e ao próximo. Quando colocamos alegria e desprendimento, dissipamos qualquer possibilidade de nos machucarmos com nossa ação. Porém, o fazer por fazer ou para que as pessoas vejam que somos caridosos é um meio de ajudarmos aos outros sem, no entanto, estarmos com isso nos ajudando. O azedume que muitos “caridosos” carregam demonstra o quanto ainda sua caminhada é longa. Sem contar que pode ser um meio de captar para si as energias dos outros em vez de dissipá-las.
Quanto aos filhos que viram as costas a quem os ajudou, não passam de espíritos infantis que precisam do pirulito para adoçar suas vidas, ignorando que um dia o doce chega no palito.
Por Leny W. Saviscki

segunda-feira, 5 de março de 2012

Para que serve a Umbanda? Para que serve o Umbandista?


Algumas vezes já estive por aqui escrevendo sobre Umbanda. Como se escreve sobre Umbanda, não? Como se debate a Umbanda, como se diversifica a Umbanda, como se entrecruza e astraliza a Umbanda...
Mas, já paramos para pensar nos adeptos, frequentadores e fiéis? O que pensam ser a Umbanda? Eu, como umbandista praticante me vejo plenamente envolvido com minha religião, pronto para defende-la com unhas e dentes dos ataques preconceituosos de outras ditas religiões e de pseudos pesquisadores antropológicos que só querem enfraldar mais e mais suas teses, sem ter um mínimo de noção espiritual da mesma. Diga-se de passagem, essa defesa de unhas e dentes  não adensa tanto a vibratória a ponto de partirmos para confronto físico ou de linguagem xula, mas sim com a propriedade que o estudo da minha religião me deu, onde podemos, embasados numa fé racional, debatê-la sem perdermos o rebolado.
Mas, o mais complicado é lidarmos com nossos irmãos de fé. A Umbanda não tem uma unificação... Graças a Deus, pois o que apareceriam de candidatos ao papado na Umbanda seria sem fim.
Mas, por conta disso, há um bel prazer em sua prática que foge completamente a espinha dorsal colocada como pré-requisito pelo Caboclo das 7 Encruzilhadas.
Essa espinha dorsal tem apenas 5 vértebras:
 . Vestir o branco → Vemos terreiros que mais se parecem com os antigos desfiles carnavalescos no Hotel Glória, onde Clóvis Bornay e Mauro Rosa conquistaram notoriedade nas festas do Momo, com suas criações de Libélula Ensandecidos no Alvorecer ou Pierrot Deslumbrado no Arco Íris de Isis...
. Usar os elementos da Natureza → É verdade, usam-se todos os elementos da Natureza possível, mas, atuando na Natureza “dificilmente” se encontra o bom senso que nos diz para não compactuarmos para a destruição da Natureza, emporcalhando todas as ruas, praias, matas e até portas de cemitérios que, já não basta a “sombriedade” local, o povo ainda tem que conviver com pipocas e afins. Penso, como também penso referente a mim, como deve ser desagradável para um católico, budista ou judeu ter que desviar de padês monumentais nas esquinas de nossa cidade.
. Não cobrar → Faz-me rir... Pois o que mais se vê por conta disso é cobrança... E tem lugares que dizem “não cobramos consultas”, mas na hora da dita consulta o “Guia” ou Pai/Mãe de Santo aparece com uma lista de trabalho homérica, cobrando, não pela consulta, mas pela feitura do tal trabalho e... Pasmem... Muitos ainda cobram o “chão” do lugar para o trabalho. É, sublocam a Casa de Deus... Isso se Ele não se mudou, ao ver o que fizeram com seu “imóvel”. Já dizia Jesus: “Vendilhões do Templo!” Isso sem contar sobre os “Ogãs Profissionais” que cobram para “baterem” tambor em determinadas casas que, coitadas, em véspera de uma Festa importante, gostariam de ter um Ogã em sua corrente para dar mais vibração e beleza ao ritual programado. Parece que o sujeito tá cobrando cachê: “Minha apresentação é tanto...”. Pior ainda é o nome que dão a isso: salva. Salva quem? Salve-nos, Senhor!
. Não matar → Pois é... Na véspera da Festa de Exu do Cruzeiro da Luz, estava eu descendo a Grajaú-Jacarepaguá e desconfiei que havia no seu final, já em Jacarepaguá, uma granja... Mas, descendo devagar, pude perceber que as 15 a 20 supostas galinhas que estava vendo, jaziam mortinhas dentro de um big alguidar de barro, com uma purinha ou uma cidra ao lado. É, menos um punhado de galinha no mundo... Fora os bodes, cabritos, pombos e afins. Mas isso não é matança não... O nome é sacrifício... Rs... Vai rindo, sacrifício? Jesus quer Misericórdia! E se é para matar alguma coisa, que seja, como o Apóstolo Paulo nos ensina: “matar o homem velho...”, oferendando-o ao Cristo para que, imolados pelo seu Infinito Amor,“...renasçamos homens novos”! Se essa fosse a matança seria maravilhoso... Pois mataríamos, sem dó nem piedade, todas as nossas iniquidades, mazelas, mal querências, mas essas, longe ainda da extinção, preservamos no cativeiro do coração e mente, procurando criá-las “in vitro”, perpetuando as espécies para que cada vez mais nos aprisionemos à roda das encarnações.
 . Evangelizar → Nossa! Esse é o desafio primevo de todo aquele que, mesmo que não totalmente desperto, já foi tocado pelas valorosas letras do legado do Cristo. Talvez seja esse o maior embate... De todas as religiões!... E o motivo único para que estas existam, pois evangelizar é religar o homem a Deus. Portanto, a religação se dá por meio da auto-evangelização e, por conseguinte, da evangelização. Por que auto-evangelização? Por que... Quem somos nós se não nos evangelizarmos? Apenas "macumbeiros". Apenas magistas de 5ª categoria. Apenas fantasistas sem lei e sem  juízo algum, radicados na senda do fanatismo religioso e na crendice mística dos fugidios da verdade que liberta. Daí a necessidade emergente de nos evangelizarmos... De criarmos em nós a nuance do amor notável de Deus, que se perdeu no elo do mundo, pois seduzidos pela bola azul esquecemos que quem a criou, a fez por um ato de amor único e restabelecedor deste amor nos corações dos habitantes dessa bola azul. E digo mais... Que espécie de médiuns somos ou seremos sem o evengelho? “Cegos guiando cegos”. Marionetes (não dos bons espíritos) fazendo receitas mágicas e indicando trabalhos e oferendas vãs, pois sem conteúdo algum, tornando-se atos mecanizados no afã de resolução de problemas. Problemas externos, da vida, do mundo, da matéria. Pois não evangelizado jamais conseguirá mergulhar na alma daquele que o busca e oferecer-lhe ajuda verdadeira. Dará paliativos apenas, criando um elo vicioso, onde quando terminada a validade da magia o “cliente” retorna para a renovação de seus “votos petitórios”. Como evangelizar se não conhecemos Jesus ainda? Se não nos tornamos íntimos do Mestre dos Mestres e permitimos que Ele faça, primeiro em nós, o milagre do retorno à origem genética divina, expurgando, gradativamente, o gene adquirido pelo mundo? É um trabalho diário que não se dá apenas nos dias de atividades dos Templos. É cotidiano. Sendo feita essa reflexão que deve sair do papel para a vida, vem o serviço desinteressado da evangelização. Aí sim, podemos evangelizar, apresentar Jesus às pessoas, citar suas palavras e convidarmos a seguirem, junto conosco, as suas pegadas, mediante seus ensinamentos eternos. Paulo diz que “evangelizar é preciso, quer desagrade, quer desagrade...”.
 Ué? Quer desagrade? Sim, infelizmente é verdade, pois esta, a verdade, ao mesmo tempo que liberta, faz doer. Dói porque somos fugidios, nos acovardamos, nos tornamos procrastinadores (hahaha...adorei essa! Adorei as Almas!), vendo o bem que queremos (mas nos julgamos diminutos) e fazemos o mal que não queremos (com a boca cheia d’água!). E quem gosta de ouvir da boca de outro que ainda é cheio de mazelas e totalmente imperfeito, sem pieguismo? Pois é... Mas, diz um grande amigo espiritual que a verdade dói apenas uma vez... Acabada a dor, estamos libertos. Enquanto que, fugindo da verdade, optando pela mentira, estamos fugindo dessa dor do parto libertador. Mal sabemos que fugir é uma dor, e muito mais dores e sofrimentos virão pela frente, pois a mentira e a fuga se tornam vício frenético...Ou seja, vamos ao Cristo:“conhecereis a Verdade e esta vos libertará”!
É triste vermos em Centros onde o propósito é levar as pessoas a essa libertação, vermos as mesmas pessoas tentando barganhar essa libertação, fugindo, se esgueirando, desviando-se das sementes do evangélico como um Matrix sombrio... É lamentável vermos um Guia lançar suas sementes e o solo que se encontra a sua frente rachar-se, como terra árida sob o sol, dizendo: “o senhor poderia ser mais sucinto, dizer logo o meu problema...e resolve-lo!”. Nem imagino o que o Guia deva sentir e pensar, pois meus degraus ainda não chegaram aos deles, uma vez que eu bem sei, no afã da emoção de uma partida de futebol eu “gostaria” de dizer... Aliás, imagino sim... Rs... Me lembrei de Jesus pregado à cruz: “Pai, perdoa-os...eles não sabem o que fazem”!... É o que fazem, o que dizem, o que pensam, o que comem,...
Contudo, diante desse pequenino relato, me coloco também reflexivo, pois esse exemplo vem de um “adepto” dos terreiros espalhados no “por aí” de meu Deus... Mas e o que pensam os que se encontram dentro desses mesmos terreiros, como trabalhadores desses terreiros? Será que, ouvindo isso, se chocarão e entrarão em prece para que a pessoa desperte para a realidade? Ou será que, vendo essa pressão do “resolve meu caso”, não se deixa levar pela falta de senso comum e se permite a permitir que essa pessoa ouça o que ela quer? Daí, surgem as invencionices e as adivinhações baratas... E joga-se um mediunato fora.
Então, voltando ao início, enquanto os próprios umbandistas crerem que a religião professada é uma quitanda de quebra galhos, nós nunca conseguiremos sermos olhados como religião e religiosos. Vamos ouvir: “O quê, sacerdote umbandista? O que é isso? Só conheço Pai e Mãe de Santo!... lá no teu centro é assim”? Isso quando não nos chamam de seita... Ou palavrinha que me entristece, pois dá uma sensação de bruxaria, de feitiçaria, de fundo de porão, cozinhando asa de morcego e orelha de rato.
É como diz um Guia Espiritual do Templo: “Enquanto lutamos tanto para elevar o tônus vibratório – evangelizar e libertar – há um mercado paralelo dentro da religião que insiste em que cresçamos como rabo de cavalo... Para baixo”!
 E baseado nesse mercado paralelo penso, pois sou produto do meio (a diferença é buscarmos nos situar no meio certo desse meio), qual o motivo de sua existência? Preguiça? Vaidades? “Obtusismo”... Rs? Carências? Falta de estudo, doutrina? Ou será que também veem a Umbanda como uma enorme quitanda, pronta para preencher as dispensas quando falta açúcar, café ou leite?... Daí, vamos à quitanda! Será que pensam que os Mentores são os chamados “santos” que damos de comer e pronto, eles ou resolvem nossos problemas ou se acalmam, nessa ininterrupta barganha entre o mau e o mal.
Toda a beleza da Umbanda cai por terra quando vemos desorganização. Quando vemos indisciplina, quando vemos falta de estudo e doutrina. Quando vemos falta de religiosidade. A Umbanda é religião e não um mercado persa! A Umbanda é o Conjunto das Leis de Deus e não um conjunto de pagode! A Umbanda, como disse o Caboclo das 7 Encruzilhadas, “é a manifestação do espírito para a caridade” e não para trazer a pessoa amada em 1 hora e meia, muito menos dar emprego pra todo mundo.
Ouvirmos pessoas dizerem que vão à missa e a centros kardecistas para ouvirem palestras e se postam diante do guia para pedir, entristece a alma. Pensamos assim: “pobre pessoa perturbada...”! Desculpem-me, mas perturbados somos nós! Perturbados e comprometidos até os dentes perispirituais porque oferecemos, seja quem foi ou onde foi, em algum momento, um motivo para que essas pessoas pensassem que a Umbanda presta é para isso: resolução de problemas ou vermos se se tem “algo feito” ou obsessor. Talvez por isso que ouçamos pessoas dizerem para um Exu, que está ali exaustivamente tentando evangelizar a pessoa: “se o sr. me ajudar, vou rezar pro sr. ter luz e deixar de ser Exu”! ... O melhor de tudo foi o Exu rir e na Gira seguinte ele dizer para a mesma pessoa que a reza dela estava fraca, pois ele “continuava Exu”... Só fazendo graça mesmo, pois o que de graça recebemos, de graça, com gosto e amor devemos dar!
 A culpa é desses fiéis, desses neófitos da religação com Deus? Ou de quem os ensinou ou os viciou a serem assim, a procurarem as Casas Umbandistas atrás desses tipos de conchavo? E quem lhes viciou são que tipo de pessoas? São adeptos de quais religiões? Óbvio que aprenderam isso dentro dos nossos terreiros! E se aprenderam isso em nossos terreiros, pertencem aos nossos terreiros, são umbandistas (embora quando pense nisso, logo me lembre do Capitão Nascimento, de Tropa de Elite: “Nunca serão!”)! Mas, para fazerem isso, alguém, um dia, abriu um precedente, um favorecimento, uma permissividade, um clientelismo.
A Umbanda evangeliza, liberta, desinstala da ignorância, descongela as mentes submersas na obscuridade da ignorância,... Mas falta o umbandista “praticante” ter idéia do que é isso. Falta ele acreditar que a religião dele é uma religião e que ele não faz obrigação ou cumpre carma. Falta ele saber que tudo que se faz dentro de um Templo Umbandista é um ato de amor e, por conta disso, ele precisa estar amando e se amando, como Jesus nos ama... Óbvio, guardada as devidas proporções... Rs... Mas Ele é o modelo a ser seguido, por isso, proporções uma vírgula! Busquemos sim, viver no amor de Jesus e amar como Ele amaria. Se não dá... Tá distante de compreendê-lo, Paulo tá aí dizendo: “sede meus imitadores como eu sou do Cristo”.
Mas Paulo é Guia? Não é Caboclo, Preto Velho, Exu ou Criança, diria o “aficcionado” pela letra que mata, aproveitando também para matar o espírito que vivifica.
É, umbandistas, se ainda pensamos que nossos Caboclos são Pataxós, Xavantes ou Cherokees; ou que Pai Joaquim era aparentado do Zumbi dos Palmares; Malandrinho mora na Lapa; ou que Pedrinho da Praia é uma criança por que morreu afogado numa Colônia de Férias na praia do Leme... Estamos muito bem servidos de fantasias, superstições e crendices! E pior... O que ofereceremos para as pessoas que batem às nossas portas? Mentiras, vaidades e grilhões?
Vale lembrar de Jesus... Sempre: “a quem muito é dado, muito será cobrado”! ou seja, seremos chamados para prestarmos conta do que ensinamos, das libertações que auxiliamos Jesus a fazer, enfim... De toda a nossa colheita, afinal a semeadura é livre, mas a colheita é e será sempre obrigatória.
Ah, como seria bom se cada um de nós umbandistas conseguíssemos contrariar a estatística que André Luiz fez um dia, em sua literatura sobre os médiuns em geral, dizendo que o Umbral está repleto de médiuns fracassados! Fracassados por violarem seus compromissos de levar à humanidade a palavra libertadora e rediviva de Jesus.
Não, infelizmente ficam sedimentando na cabeça das pessoas que devemos morar em Nosso Lar, Lar de Celina, Aruanda e etc... Quando essas “localidades” devem ser, no peito do espírito arfante de crescer e ser liberto, locais de passagem apenas. Dure essa passagem o tempo que precisar, mas que não ousemos pensar nelas como tenda permanente. Seria pensar pequeno. E pequeno é tudo que Deus não é.
Aí, como o Apóstolo dos Gentios em sua Epístola a Timóteo, poderemos dizer aquelas tão lindas palavras, um cântico do dever cumprido e a Graça alcançada por essa Graça ter nos bastado ao longo da vida, quando morremos homens velhos e renascemos homens novos...
 ... “Combati o bom combate, encerrei minha carreira, guardei a fé... Só me resta agora receber a coroa da justiça! Do justo juiz, o Senhor Jesus”!
Ah, como quero poder dizer isso um dia... Eu, um foguinho...
 Saravá, Jesus!
Pai Julio (Pai Pequeno do T.E. Cruzeiro da Luz )

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Carta a Comissão de Combate a Intolerância Religiosa



Prezados,
Meu nome é Roberta Pereira de Paula Rodrigues e professo a fé Umbandista.
Venho aqui expressar minha indignação desencadeada pela vinheta sobre fé transmitida pelo canal de TV aberta denominado Record em onze de fevereiro de 2012 às 12:40.
A dita vinheta é apenas uma de uma série delas com o mesmo assunto: fé. Até então nenhuma delas havia me indignado, sobretudo por ser um material que transmite mensagens de fé em Deus, valor da família e reforma moral, sem estarem relacionadas diretamente com uma religião específica, apesar de todos sabermos publicamente que o presidente da Rede Record de televisão é um famoso sacerdote da religião Cristã Evangélica.
Porém, esta vinheta específica veiculada na data e horário mencionados, faz uma colocação bastante delicada, pois incita o preconceito por uma religião ao usar o nome da mesma relacionando-a a problemas de alcoolismo.
Tentarei agora descrever a vinheta em questão.
Primeiramente um homem de meia idade começa a relatar problemas com alcoolismo passados por ele, e durante este relato diz com estas palavras: “eu tinha probrema de espiritismo1”. No fim do seu relato conta que a “igreja” (entende-se Evangélica) foi o lugar que o ajudou a se recuperar ao apresentá-lo a Jesus.
Gostaria de registrar aqui minha opinião a favor da reforma moral apoiada na ajuda de uma religião. Quando a Igreja Evangélica consegue promover a libertação do vício da bebida, drogas ou crime em indivíduos, temos aí algo realmente louvável. No entanto não podemos esquecer que esta mesma libertação também pode acontecer pelo trabalho desenvolvido por outras religiões e até mesmo por grupos de apoio social com ou sem orientação doutrinária religiosa.
Com isso quero dizer que da mesma forma que acredito que a reforma moral não pode ser atribuída à religião A ou B, um problema como o vício do alcoolismo não pode ser veiculado em rede nacional, principalmente em uma emissora de tv tão popular como a Rede Record, como algo ligado à religião conhecida como Espiritismo.
Aproveito para convidar a todos que leem este texto a uma rápida reflexão sobre a frase proferida na vinheta.
Inicialmente o que nos chama à atenção é a pronúncia da palavra problema. Esse equívoco de pronúncia é comumente observado em populações carentes que não tiveram muita oportunidade de acesso a ambientes de leitura e estudo da língua portuguesa em sua norma culta. Não quero aqui proferir qualquer juízo de valor, até porque minha própria mãe pronunciava algumas palavras assim, que foram, com o tempo, corrigidas por duas filhas formadas em nível superior, com paciência e amor. Porém é fato que minha mãe não teve oportunidade de terminar o ensino fundamental e não gosta de ler. Com isso podemos concluir que ele próprio não possui conhecimento básico do que vem a ser o Espiritismo.
Outro detalhe que chama à atenção é a colocação sobre o causador do problema. É bastante estranho alguém atribuir um problema a uma religião em si. Seria difícil imaginarmos alguém dizendo que tem problema de Cristianismo, ou de Budismo por exemplo. Pessoas não têm problemas de religião, mas podem ter problemas com algumas doutrinas ou filosofias relacionadas a algumas religiões. Neste momento passo até a crer que esta pessoa estava querendo afirmar que teve problemas espirituais e não de Espiritismo.
O fato de termos uma pessoa com pouca cultura, e praticamente nenhum conhecimento do que realmente seja o Espiritismo na televisão de milhares de lares brasileiros proferindo tais palavras e incitando maior preconceito nas tantas faixas sociais que assistem a Rede Record é algo abominável. Contudo ainda mais abominável é o fato de que são pessoas com cultura aprofundada as responsáveis por produzir, editar e colocar no ar tamanha atrocidade.
Deixo, portanto, registrada nesta carta/texto minha indignação e meu desejo que a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa possa, através de seus representantes, tomar providências acerca deste caso. E, como forma de propagação desta notícia, compartilho meus pontos de vista com irmãos de fé através de blogs Umbandistas, também deixando claro que o assunto diz respeito a todas as religiões e à sociedade em geral.



1“O Espiritismo realiza o que Jesus disse do Consolador prometido: conhecimento das coisas, fazendo que o homem saiba donde vem, para onde vai e por que está na Terra; atrai para os verdadeiros princípios da lei de Deus e consola pela fé e pela esperança.”   Allan Kardec (O Evangelho segundo o Espiritismo – cap. VI – 4)
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