Seguidores

Mostrando postagens com marcador Outras Religiões. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Outras Religiões. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Avante, Filhos de Fé...



Ativismo na Umbanda

1.    Ser ativo ou passivo na Umbanda
AUmbanda é uma religião onde todos são tratados e reconhecidos como iguais,independente da raça, sexo, condição social, espécie, entre outros, eprincipalmente, é formada por pessoas “ativas”, que se dispõem comovoluntários, sem medir esforços para o desenvolvimento espiritual e ajuda aopróximo.

Sercomposta por membros ativos permite que a Umbanda seja feita por todos osinteressados da comunidade onde ela está inserida, quebrando ainda mais asbarreiras de preconceitos e exclusão da sociedade.

Porém,passado certo tempo na religião, algumas pessoas questionam que “se sempre foi assim, o que é que eu possofazer?”. Nesse caso há uma inversão nos papéis dessas pessoas onde deixamde ser ativas para se tornarem passivas, ou seja, aceitam tudo o que outrosdizem ou se tomam a base que está formada no terreiro como verdadeira eimutável, perdendo o interesse na busca por novas informações e bloqueiam odesenvolvimento da Umbanda local.

Afinal,o que “posso fazer?”.

Estudarmais, procurar respostas, questionar os guias, questionar outros sacerdotes etentar encontrar meios que respondam as perguntas que eliminariam essaconformidade!

Outrofator importante da Umbanda é que não há heresia na religião! Questionar tudoleva ao conhecimento e à evolução, e a Umbanda permite e deve evoluirjuntamente com todos os seus membros, pois só assim caminhará lado a lado com asociedade. 

2. Macumba
Entãoos verdadeiros umbandistas são ativos, questionadores e pesquisadores. E sãomacumbeiros?

Dependedo que definimos como “macumba”.

Hávárias explicações de muitos estudiosos e escritores de religiões sobre aorigem da palavra macumba, mas a que é mais aceita por muitos é de que macumbaé um instrumento musical de uma tribo africana.

Mascerta igreja, vendo que muitos de seus adeptos começavam a se interessar pelosbatuques das senzalas, e com medo de diminuir seu séquito, resolveu criar aideologia de que aquilo que era praticado pelos negros era diabólico, eassociou as palavras africanas mais fortes com satanás, como por exemplo, apalavra Exu passou a ser o próprio anjo do mau, e macumba, que substituía apalavra ebó, que era a oferenda aos Orixás.

Oque mais chocava, e ainda choca, as pessoas em um ebó, ou “macumba”, é quandohá animais mortos. Há sempre a impressão de que houve tortura para com oanimal. Se tiver tortura e cadáver, faz parte do demônio, como pensam amaioria.

Poroutro lado, essa mesma igreja pegou as palavras Umbanda, Candomblé e Quimbandae colocou-as em um liquidificador, misturou tudo, e jogou aos quatro ventos deque era a mesma coisa. Outras igrejas desprovidas de dogmas e por não ter o quedizer, assumiram isso como verdade e adotaram a idéia, chegando escrever atélivros sobre o assunto.

Encontramosumbandistas que acham que isso é verdade, de tão boa que a propaganda foifeita.

Paradeixar claro, teoricamente a Umbanda não faz o sacrifício animal em seusrituais, mas assim como há muitos candomblés que também não o praticam em seusrituais, há umbandistas que o praticam.

Logo,o umbandista não é macumbeiro que faz um ebó com animal. Mas é macumbeiroquando utiliza vários instrumentos musicais em seus rituais, incluindo averdadeira macumba, instrumento parecido com um reco-reco.

3.    Ser ou não ser afro
Sea igreja juntou a Umbanda, o candomblé e a Quimbanda como se fosse uma religiãosó, há algo que as interliga?

Háquem diga que o fato dessas três religiões utilizarem nomes de Orixás africanoselas podem ser chamadas de “afro-brasileiras”, daí a ligação.

Vejamosbem, no caso da Umbanda, que é uma religião originada de uma mistura entrealguns rituais de povos africanos, da igreja católica romana, do espiritismokardecista francês e ritual indígena brasileiro, e principalmente sobre aorientação dos guias espirituais, tornando-a a mais brasileira de todas asreligiões, é mais conveniente intitulá-la de brasileira do que afro-brasileira.

Oprefixo afro remete a toda África, continente que possui milhares depovos e tribos com vários rituais e deuses, muito diferente do que é seguido epraticado na Umbanda.

Parareforçar a idéia de que a Umbanda não é afro, notemos que os nomes dos Orixásvieram de várias tribos de regiões diferentes do continente africano, nomes queforam somados ao conhecimento e união de escravos de várias tribos numa mesmasenzala, ou posteriormente com a união de escravos de várias senzalas. Muitastribos adoravam apenas um ou outro desses Orixás e nenhuma adorava a mesmasequência que a Umbanda ou o Candomblé, por exemplo. Há outras tribos quedesconheciam por completo esses Orixás e usavam outros nomes ou deuses. Algumastribos praticavam ritual onde envolvia humanos em sacrifícios. Havia ainda, emuma tribo ou outra, ritual onde era feito sacrifício animal toda vez queocorria uma sessão religiosa.

Dizerque a Umbanda é afro é aceitar que ela permita em seu dogma um pouco de tudo oque há na África, o que não é verdade, pois apenas uma pequena parcela deritual africano é que é utilizado.

Maspara muitos, a Umbanda é afro-brasileira, e neste caso é desconsiderado orestante dos rituais da África. As parcelas do ritual católico, francês,indígena brasileiro e espiritual são ignoradas nessa definição, senãopoderíamos definir como religião afro-ítalo-franco-ameríndia-brasileira.

Etem mais. Por ser considerada afro-brasileira, dizem que a Umbanda é irmã deoutras religiões afro-brasileiras, como o Candomblé, por exemplo, e por isso,deve haver uma parceria de uma para com a outra.

4.  Respeito eapoio
Porser religião, a Umbanda deve ter e manter respeito por todas as religiões.Todas sem exceção. Independente de ser ou não afro, a questão deirmandade pode ou não ser considerada, mas o que devemos ter em mente é:respeito é diferente de apoio.

Apoiaralgo é aprovar o mesmo, e desde que não fira os dogmas da religião é louvávelse, além da parceria, há o apoio por outra religião.

Parailustrar a diferença entre respeito e apoio, tomemos como exemplo um casorecente (novembro/2010) onde o prefeito Barjas Negri de Piracicaba, vetou a leiproposta pelo vereador Laércio Trevisan Jr., de proibição do uso de animais emrituais religiosos. (veja mais em: http://www.tribunatp.com.br/modules/news/article.php?storyid=7405).

Sea lei fosse sancionada pelo prefeito, abrir-se-ia precedente para que outrascidades proibissem o uso de animais em rituais religiosos, prejudicandodiretamente o Candomblé, que é quem utiliza os mesmos em seus rituais.

Sea Umbanda é preservação da natureza, é paz e amor, é respeito por todas asformas de vida, e não utiliza animais em seus rituais, não faz sentido aUmbanda apoiar o Candomblé nesta suposta vitória com o veto do prefeito dePiracicaba.

Apoiar,neste caso, remete a Umbanda a aceitar que animais sejam imolados por outrasreligiões, quebrando assim as bases que contradizem o mesmo.

Nestecaso, a posição que deveria ser assumida pelos umbandistas seria: respeitamos oCandomblé com seus rituais, mas não apoiamos o veto do prefeito de Piracicaba enão vemos motivos para comemoração, pois quem sai perdendo são os animais, quesão sagrados para a Umbanda.

Simplesmenteapoiar o veto e dizer que isso é uma vitória das religiões afro-brasileirasé assumir a posição passiva da Umbanda, e se conformar: se sempre foi assim, oque eu posso fazer?

5.  Porque aUmbanda respeita os animais
Segundoo filósofo Mário Sérgio Cortella “nós somos mortais e todos os outrosanimais são imortais, pois os seres humanos são os únicos que tem a consciênciade que vai morrer, pois quando não há a consciência não existe o fato paraaquele que não o sabe. O animal vive cada dia como se fosse o único e o serhumano vive cada dia como se fosse o último”.

Infelizmente,por se achar o ser mais inteligente do nosso planeta, o ser humano acredita sero único que possui espírito, e o resto é criação divina para servir ao bemestar do homem.

Tendoou não consciência de sua existência, sabendo ou não reconhecer-se em umespelho, tendo ou não inteligência para solucionar problemas complexos, osanimais sentem dor, medo, fome, frio, alegria, ansiedade, entre tantossentimentos iguais aos sentimentos humanos. Se há sentimento, há espírito. Sehá espirito, neste caso temos a irmandade entre humanos e animais.

Seo espírito humano é mais ou menos evoluído que o espírito do animal não cabeneste texto.

Seos animais possuem espírito eles merecem o mesmo respeito que os humanos.

AUmbanda respeita toda a criação divina. Sejam humanos, animais, plantas, água,ar, etc., tudo merece respeito.

Acreditarque o ser humano é o centro da criação divina vai contra os ensinamentos dosguias espirituais que dizem que todos os seres são iguais. Os animais não foramcriados para a subserviência do homem.

Sesomos iguais, se possuímos espíritos, se temos a mesma importância na criaçãodivina, qual é a diferença do sacrifício animal do sacrifício humano?

Nãohá.

Matarum bode para utilizar seu sangue pode ser considerado o mesmo que matar umacriança para o mesmo objetivo.

Oque alegam os responsáveis pelo sacrifício é a dificuldade em conseguir osangue para o ritual, aparentemente necessário para se conseguir axé eenergias.

Oque a Umbanda faz é substituir o sangue animal pelo sangue vegetal em seusrituais sem perder o axé e poder. O sangue vegetal pode ser o sumo de plantasou o mel, por exemplo.

Assimcomo há várias “umbandas”, onde uma ou outra faz o uso do sangue animal, hácandomblés que não fazem o uso do mesmo, como exemplo, há o Candomblé Verde http://verdesfolhas.blogspot.com/.

6.    Mudanças na Umbanda
AUmbanda é uma grande religião formada por vários segmentos e vários pensadorese estudiosos que delineiam seus caminhos, sem um órgão centralizador, e porisso não possuem heresias em seus fundamentos.

Questionaros dogmas da religião pode levar a evolução, o que trás melhorias, axé e forçaspara todos.

Aotrocar o axé animal pelo axé vegetal, não houve perda de axé no ritualumbandista, houve aumento de axé, pois foi substituído a dor e sofrimento de umanimal pela força e energia contidas nas plantas e ervas.

Háterreiros que estão substituindo o marafo dos Exus por água de coco.

Substituiu-seo fumo industrializado com substancias tóxicas, por mistura de ervas naturais.

Sãopessoas ativas que buscam soluções e melhorias. São essas pessoas quequestionam os porquês de cada coisa, buscam respostas e ajudam na evolução daUmbanda.

Umbandarepensada, questionada e estudada, é uma Umbanda que evolui e respeita acriação divina, respeita os seres humanos, os animais e as plantas.

Sesempre foi assim, quero saber por que, se puder irei mudar, melhorar e ajudar.


Por:Newton Carlos Marcellino



Umbanda é... Religião, Brasileira, Caridade, Caminho, Fé, Respeito, Cristã, Viva, Salve, Saravá... Umbanda é Amor!

domingo, 31 de julho de 2011

Toque da Jurema - A Cura em Várias dimensões



O Toque de Jurema (Encantarias – Encantados) é um culto público com fins propiciatórios à (1) cura, (2) resolver problemas vários do cotidiano, (3) amor e, finalmente, (4) problemas espirituais vários.

O Culto à Jurema tem na adaptação do homem aos três ambientes: natural, social e sobrenatural a forma de encontrar a estabilidade, a harmonia e o equilíbrio.

A quebra desse equilíbrio (dos três ambientes) pode desencadear vários óbices, inclusive a deflagração de agressão mística – demandas, ataques mágicos ou berundangas - responsável por infortúnios espirituais tais como “vida amarrada” e perturbação espiritual na dimensão afetiva promovendo o insucesso no amor e as maiores dificuldades no aspecto econômico-financeiro. Finalmente, os problemas mais ou menos graves de saúde mental ou somática.

Todos esses infortúnios ou malefícios são combatidos pelos rituais ou Toques de Jurema, pois por intermédio de “ervas receitadas” em forma de chás, decocto, defumações e, principalmente, com o vinho de Jurema e as “fumaçadas” preparadas para combater todos os males (fumo misturado com ervas propicias a várias finalidades).

São esses remédios dispensados pelo Mestre acostado (entidade sobrenatural), ou mesmo pelo Mestre Juremeiro encarnado que em geral é erveiro, mateiro, rezadeiro, raizeiro, benzedeiro e “feiticeiro” que favorecem e restabelecem a harmonia, a estabilidade e o equilíbrio perdidos.

As fumaçadas são aspergidas, em formas de fumaças sopradas pela marca (pelo fornilho) nos consulentes pelo Mestre acostado algo que caracteriza os Mestres da Jurema, Mestre da Sabedoria e de fundamento nas raízes de seu Mestre iniciador desde quando foi “enjuremado”.

Os cultos não são apenas públicos, pois há os individuais, onde se atendem e se faz vários tipos de trabalhos, todavia, quando do Toque de Jurema, o mesmo se processa da seguinte maneira:

1. Os rituais ou mesas são mágico-sagrados sendo muito valorizados principalmente pelos benefícios que propiciam.

2. O uso do vinho de Jurema é o principal remédio para todos os males. Os ingredientes do vinho de Jurema é de conhecimento exclusivo dos iniciados, por isso faz-se silêncio sobre sua composição.

3. O tabaco é fundamental na eliminação de malefícios vários, podendo também trazer benefícios espirituais – “chamar o transe” – quando aspirado profundamente.

4. O grande número de remédios oriundos da flora e da fauna são o manancial onde os Juremeiros preparam seus “líquidos ou pós de poder”, suas garrafadas, lambedores (xaropes) e banhos para neutralizar malefícios vários e trazer benefícios.

Para tantos “benefícios” os Mestres, basicamente fazem uso de três objetos magísticos. A princesa – uma bacia de louça branca com fumo de corda e outros elementos que representam a fonte de todo poder do Mestre. A marca mestra (maracá) que se acredita ter o poder de abrigar vários espíritos das cidades e aldeias que rodeiam as cidades místicas ou reinos da Jurema. O terceiro poder é determinado pela fumaça da marca do Mestre acostado, que serve de remédio e propicia o transe de possessão.

O Toque de Jurema (Encantaria) é encontrado em várias religiões afro-brasileiras, principalmente na Umbanda, em algumas de suas vertentes; no Culto de Nação Africano (Jejê-Nago-Angola); No Tambor de Mina - há mais de 50 anos presente em várias regiões do país fundamentado no Culto Jejê (Voduns), principalmente nas divindades Poli Boji, Dambirá, Quevioçô, Sobô, Badé, em perfeita harmonia com Orixás Ketu, Mestres e outros Encantados; não se pode esquecer do Tambor da Mata ou Terecô - oriundo do Mearin e de Codó do Maranhão, que hoje se encontra difundido em alguns estados - onde se apresenta Barba Soeira (Santa Bárbara) e vários outros encantados, principalmente Mestre Légua, Rei da Turquia, Rei D. Sebastião e muitos outros.

Prosseguindo, o Toque de Jurema, ao contrário do que muitos pensam, é complexo nos fundamentos e na ritualística. Há um enredo que vem puxando uma teia de ancestralidade indígena e européia tendo como pedra angular o poder mágico curativo da Erva Jurema e do Vinho preparado com ela.

“Curam” vários males, principalmente pelos conhecimentos e poderes dos Mestres encarnados que são acostados por Mestres de outro mundo, “Juremeiros desencarnados” (será apenas isso?). As curas proporcionadas pelo poder do vinho de Jurema potencializadas pelos fundamentos dos Mestres e seus avatares atingem o psicossomatismo (mente e corpo) do consulente, o social – problemas afetivos-sexuais e financeiros vários; os espirituais – “vida amarrada”, feitiçaria, bruxaria e outras influências negativas.

Antes do encerramento deste sumário sobre a Jurema e seus rituais de fundamento e as diversas encantarias há de se ressaltar que cânticos (louvarias ou cantorias) e danças sob a influência das fumaçadas e a degustação do vinho de Jurema caracterizam esse culto e seus adeptos.

O Toque de Jurema no que concerne ao aparente caos - pois transgride na alegria e na paz a cultura vigente - e do lúdico, faz parte da cura proporcionada pelo poder dos Mestres que conhecem a psicologia e o imaginário das humanas criaturas.

Com certeza, o Toque de Jurema e outras religiões afro-brasileiras são formas de resistência às proscrições, às desigualdades que infelizmente campeiam na sociedade, protagonista de descriminações várias, preconceitos, que impedem as necessárias mudanças e mobilidades sociais.

Além da resistência, Mestres do outro mundo e deste mundo se unem não somente para proporcionar curas em várias dimensões do ser humano e de sua sociedade, mas labutam pela transformação sócio-espiritual que vem ocorrendo na sociedade brasileira que elevará a uma forma justa de religiosidade nossa gente.

Salve a Jurema Sagrada!

Salve, Salve, os Mestres!

Salve, Salve, os Príncipes, as Princesas e todos os demais Encantados!


Fonte: Blog Espiritualidade e Ciência

segunda-feira, 28 de março de 2011

A Umbanda e a Filosofia Budista



BUDA (Siddhartha Gautama), Entidade Espiritual de muita luz, não se dizia uma encarnação divina, nem tampouco um representante de alguma divindade hindu.
Filho do Rei Suddhodana e da Rainha May, foi um homem, o mais sábio e santo ser entre os seres da humanidade terrena. Viveu muitas vidas, aprimorando-se acima de indivíduos e deuses. Toda essa experimentação fez nele acender-se a natureza divina que todos nós possuímos.
O Budismo é um conjunto de ensinamentos emitidos e vividos por esse grande homem conhecido por Buda (Buda não é um nome, mas uma condição de pleno desenvolvimento espiritual – A Iluminação). Hoje, os que seguem a Filosofia Budista não o têm como um Deus, mas como um Guia Espiritual que ensina a todos como se libertar do ciclo reencarnatório, buscando a iluminação e o Estado de Pureza Espiritual, libertando-se das preocupações materiais e do ciclo ininterrupto de vida e morte.
Na Filosofia Budista, o ser humano é escravo do ciclo reencarnatório, que é gerado pelo "Carma" (a Lei de Ação e Reação). Conseguir livrar-se do Carma significa encerrar o ciclo de reencarnações, atingir a iluminação e encontrar a porta que abre o caminho para o "Nirvana". Para que isso pudesse acontecer, Buda ensinou aos seus discípulos aquilo que é a base do Budismo: " As quatro Nobres Verdades " e os " Oito Caminhos ", uma combinação de ensinamentos morais por meio da meditação e concentração.
Basicamente, os ensinamentos de Buda buscaram a libertação de todos os seres cientes de seu sofrimento.
Cerca de 2.500 anos a.C., depois de experimentar seu Estado de Iluminaçao meditando sob uma figueira, Buda fez seu primeiro sermão, apresentando:

As Quatro Nobres Verdades
· Existe o sofrimento;
· O sofrimento tem causas;
· O sofrimento tem um fim;
· Existe um caminho para acabar com o sofrimento.

Buda ensinou que toda a causa do nosso sofrimento é o desejo, o apego às coisas materiais. Quando o desejo e o extremo apego acabam, o sofrimento termina.
Para se chegar ao fim do sofrimento existem oito caminhos; Buda ensinou que o esforço correto em nossa busca pelo fim do sofrimento é sempre manter o equilíbrio – o Caminho do Meio. Quando nos libertamos do nosso " Eu ", ficamos livres da avidez, do ódio e da ilusão, abrindo nossos corações para a Bondade e a Compaixão e nossa mente para a Sabedoria.
Quando diagnosticamos a causa do sofrimento, podemos encontrar o caminho da cura.

· A Nobre Verdade do Sofrimento.
A primeira Nobre Verdade nos lembra a existência cíclica de renascimentos e mortes sem fim ( o Budismo chama de " Roda da Vida " ). Tudo que experimentamos neste mundo pode nos causar sofrimentos. Nascer é sofrer, envelhecer é sofrer, morrer é sofrer. Quando estamos junto a algo ou a alguém que não gostamos, nos sofremos; quando nos separamos daquilo ou de alguém que amamos, sofremos também; tudo aquilo que almejamos e não conseguimos obter nos causa sofrimento. O Budismo nos diz que esses sofrimentos comprometem toda uma existência, marcando-a indelevelmente.
O discípulo deve aprender com a primeira Nobre Verdade a admitir que o sofrimento deve ser completamente entendido. É a tomada de consciência, a mensagem de que há uma saída para os problemas que vivemos.

· A Nobre Verdade da Causa do Sofrimento
Para Buda, nosso sofrimento origina-se em três grandes mal-entendidos: o primeiro é o de que acreditamos que aquilo que está em constante mudança pode ser previsto ou aprisionado; o segundo é acreditar que somos uma identidade permanente; o terceiro é que o ser humano tem o costume de procurar a felicidade em lugares errados.
A segunda Nobre Verdade nos ensina que o sofrimento não é imposto por um ser superior, mas um resultado de nossas próprias ações. "Naquele que domina a si próprio, nenhuma cólera poderá aparecer. O homem justo rejeita toda a maldade. Pela extirpação do ódio e de toda a ilusão, atingirás o Nirvana" – ( O Buda, Mahaparinibbana Sutta ).

· A Nobre Verdade da Extinção do Sofrimento
Só é possível chegar ao fim do sofrimento quando acaba o desejo. O homem não se liberta sem despertar em si a Sabedoria interior do Amor e da Compaixão. O fim total do sofrimento também é conhecido como liberação, em sânscrito, "Nirvana".
O objetivo da terceira Nobre Verdade é que o fim do sofrimento seja totalmente realizado.

O NIRVANA – Hoje, palavra de conhecimento mundial, mas seus significados mais amplos ainda são desconhecidos. Em sânscrito "Nir " significa " Não ", e "vana", "cordão". Nirvana pode ser traduzido como “não estar preso”, "estar liberto". Mas liberto de quê? Do ego, da ignorância, da ilusão e da dor. Para o Budismo, o Nirvana é um estado do ser e não o “Paraíso”, que possa ser alcançado por quem abrir mão do "eu" e do apego.
Quem chega ao Nirvana não se arrepende do passado nem teme o futuro, vive o presente e está livre da ignorância e dos desejos egoístas, do ódio, da vaidade e do orgulho. Assim, torna-se um ser puro, meigo e cheio de Amor Universal, compaixão, bondade, simpatia, compreensão e tolerância.

· A Nobre Verdade que leva ao Caminho do Fim do Sofrimento
Buda sempre ensinou o Caminho do Meio, do equilíbrio; não devemos ser muito rígidos, nem muito relaxados. Devemos tomar cuidado com o caminho dos extremos. O Caminho do Meio faz com que surjam condições para o estudo e a prática em colocar fim ao sofrimento.
A Quarta Nobre Verdade é a base do treinamento budista. Indica o caminho para o fim do sofrimento e do renascimento sem fim: o Caminho do Meio ou Caminho das Oito Vias.

· Carma e Renascimento
Todas as nossas ações produzem uma marca em nossa mente, que influirá em nossa evolução futura. "A felicidade é sempre o resultado de uma atitude positiva, e o sofrimento de uma atitude negativa". (Dalai Lama).
Geralmente, como se explicar o Carma ou Lei de Ação e Reação, costumamos usar o "colhemos no futuro o que plantamos no passado". Nosso futuro será o resultado do que estamos realizando hoje. O Carma se manifesta no corpo, que é a porta de entrada das ações, pela fala, que é a porta da comunicação e pela mente, a porta dos pensamentos. Pela mente, podemos causar nossas desventuras ou bem-aventuranças, basta saber como direcionar nossos pensamentos positivamente. Qualquer ação que praticamos se tornam causas, dessas causas surgem os efeitos. Os pensamentos vêm e voltam, e, ao voltarem, se forem negativos, faz com que nos sintamos indefesos, não entendendo porque coisas ruins estão acontecendo conosco. São as energias voltando para o lugar de onde vieram. Isso é o Carma: para toda ação, sempre haverá uma reação, positiva ou negativa. Conhecendo nosso Carma, aprendemos a lidar com a conseqüência de nossos atos.
A FILOSOFIA BUDISTA diz que nosso Espírito é eterno. Ele aprende, cresce, se desenvolve em cada encarnação mediante nossas experiências e práticas espirituais. O Espírito jamais morre: nosso Espírito Eterno segue em sua viagem, que não tem começo, nem fim.
A cada nova encarnação, nosso Espírito entra num corpo físico. Ao fim da vida do corpo físico, este é deixado para trás, mas o Espírito continuará sua jornada. Seu estado mental no momento da morte física determinará sua condição na próxima vida. Depende de nós o que fazer de nossas vidas; nosso Espírito usa este corpo para que possa avançar em sua evolução, adquirindo o maior número de experiências positivas.
NA UMBANDA existe a mesma crença de que o homem caminha para sua evolução espiritual buscando, através de suas várias encarnações, o entendimento da linha evolutiva traçada para nossa Humanidade.
Por meio da prática da caridade, exercendo sua fé e humildade, o médium umbandista busca sua evolução rumo à Pureza Espiritual, um Estado de Iluminação, o despertar para a Vida Eterna. Por sua vez, os Guias Espirituais que incorporam nas sessões de Umbanda também estão cumprindo seu papel na Escala Evolutiva do Planeta, levando aos necessitados palavras de fé, amor e compreensão, sempre passando a mensagem da Eternidade do Ser, única maneira de nos libertarmos das amarras de nossa condição humana, rumo à evolução. Ao pregar-se a REFORMA ÍNTIMA na Umbanda, com a extinção da vaidade, do egoísmo e do ódio, nos ligando a sentimentos de amor, compaixão, humildade e caridade, estamos buscando a evolução do ser ao se libertar dos apegos e sentimentos materiais, como nos ensinam as Quatro Nobres Verdades do Budismo.
Buscando as causas das nossas dores, cessa-se nosso sofrimento, cessando o sofrimento, o homem segue, sem medo, seu caminho rumo à evolução e iluminação de seu Espírito Imortal.

ORIGENS DO BUDISMO
O Budismo nasceu há cerca de 2.500 anos na Índia. Seu fundador, o Buda histórico, nasceu príncipe na família dos Sakya. Aos 29 anos renunciou ao reino em busca de respostas aos problemas essenciais da humanidade.
Depois de seis anos de estudos junto a alguns Mestres e de meditação solitária na floresta, atingiu a Libertação ou Iluminação. “Buda” é um estado de elevação que todo ser humano tem potencial para alcançar.
Ao surgir, como Doutrina Filosófica e sem dogmas de crenças divinas, o Budismo pôs em xeque todo o rígido sistema social indiano, o Sistema de Castas implantado pelos invasores arianos que dominaram a Índia por volta de 1.500 a.C. Além disso, os invasores haviam disseminado a crença na Trindade Divina Shiva – Vishu _ Brahma e o culto a determinados animais – a Zoolatria.
Por volta do Século VI a.C., muitos questionavam na Índia a tradição e a rigidez do Brahmanismo ou Religião Védica, crença que se baseia em uma séria de preceitos religiosos e Doutrina Esotérica, conhecidos com “Vedas”. Em meio a indagações religiosas e filosóficas, nasceu o Budismo.
Contrariamente a muitas outras religiões, o Budismo é " não-teísta ", não contempla a existência de um Deus criador, preocupando-se sobretudo em resolver os problemas essenciais da Humanidade. É um caminho de busca de aperfeiçoamento espiritual. Por seu caráter aberto e não-dogmático, faz com que muitos o entendam muito mais como Filosofia, a Arte da Vida. Para muitos Mestres Budistas da atualidade, o Budismo é uma Ciência do Espírito.
Os princípios básicos do Budismo são: Não cometer ações negativas, realizar ações positivas; ter domínio sobre o Espírito; a não-violência e o respeito por todas as formas de vida.
O Budismo cresceu e se desenvolveu em três ramos principais: Mahayana e Hinayana dão enfoque ao Budismo como religião e o código moral de conduta, da mesma forma como acontece com o Cristianismo no Ocidente. O terceiro ramo é o Vajrayana, que não é visto como religião, bastante parecido com o Zen-Budismo japonês, conhecido como o " Caminho Curto ". É um estilo de vida em que o praticante se utiliza de todas a s suas atividades diárias como instrumentos de progresso no caminho da iluminação.
O Budismo pode ser considerado a síntese de muitas filosofias orientais, como loga, Taoísmo e Hinduísmo. Para nós, do Ocidente, o grande desafio é integrar os ensinamentos do Budismo às nossas vidas. Para a grande maioria, não é possível afastar-se da família e dos afazeres diários. A meditação é usada constantemente para que se possa fortalecer, com clareza a consciência, transformando cada ação do dia-a-dia numa pratica meditativa em que se busca alcançar paz e felicidade.

A EXPANÇÃO DO BUDISMO NO ORIENTE
Após a morte de Buda, o Budismo ultrapassou as fronteiras e se expandiu por diversos países do Oriente: Ceilão, Indochina, Tibete ( onde se difundiu com a religião já existente, unificando-se na religião Rama ); Chegou à China, onde é identificado como Budismo Chinês; seguiu para a Coréia e depois para o Japão. Como não havia escrita na época, houve uma grande diversificação dos ensinamentos, que se transmitiam via oral.
Nessa passagem de conhecimento a China foi a mais beneficiada, pois manteve maior contato com o Monge Hindu Radiu Sanzo. Mas, apesar disso, o conhecimento foi passado por muitos religiosos, criando-se várias religiões e gerando muita controvérsia.
Em meio a toda a desordem e infinidade de doutrinas espalhadas pela China, surge o então chamado " Buda Chinês " ( 538-596 d.C. ), que estudou todos os ensinamentos de Buda e fundou a religião " Tendai Hokkeshu ".
O Budismo evoluiu desde os tempos de seu fundador, mas sem modificar as grandes linhas primitivas da salvação para alcançar o Nirvana. As Escolas Filosóficas multiplicaram-se com o espírito de extrema tolerância que caracteriza as religiões asiáticas em geral. O Mahayana acrescentou ao Hinayana primitivo e severo uma nova doçura no conceito de " Bodisatva " (segundo o Budismo, aquele que pode converter-se em Buda, mas que se recusa a dar o passo definitivo para salvar seus irmãos que ainda sofrem, cegos pelos desejos do mundo, sofrendo no ciclo interminável de mortes e renascimento). Os Bodisatva desempenham um papel importante na difusão do Budismo, transformando-o em uma religião de doçura e de salvação espiritual para as massas populares asiáticas.
Em cada país em que chegou, o Budismo recebeu toques populares de cada região, criando-se novos rituais, mosteiros e templos. Hoje se somam no mundo todo, mais de 400 milhões de adeptos.
No século VII, com a invasão dos povos árabes impondo a Religião islâmica, o Budismo foi varrido da Índia. Mas isso não prejudicou sua expansão em outras religiões, principalmente as nações asiáticas, como Sri-Lanka, Tailândia, Nepal e Butão;Mongólia, Coréia, Japão e Vietnã; Laos, Cambodja e Indonésia.

A CHEGADA DO BUDISMO AO OCIDENTE
Entre 300 e 30 a.C., ocorreram as primeiras aproximações entre o Budismo e o mundo ocidental, propagado por mercadores indianos que levaram os ensinamentos para a Grécia, Egito e Europa.
Com o aumento do comércio entre o Oriente e o Ocidente, o Budismo foi se tornando mais conhecido na Europa, e, a partir do século XIX, muitos passaram a interessar-se pelo estudo da filosofia budista. Em meados do século XX, surgiram sociedades budistas em vários países da Europa. Foi nesse mesmo período que o Budismo chegou à América, juntamente com os imigrantes asiáticos.

O ZEN-BUDISMO
Ramo do Budismo praticado principalmente no Japão, mas sua origem está na China. “Zen” significa meditar, e sua filosofia objetiva reduzir ao máximo as doutrinas, experimentando-se integralmente a prática, que é realizada por meio da meditação chamada de "Za-Zen", pela qual é possível, após o processo de disciplina e autoconhecimento, atingir a iluminação. A prática do Zen-Budismo chegou ao Japão no século XII e tornou-se popular entre os Samurais, que na época dominavam politicamente o país. Influenciou esteticamente a arquitetura japonesa com um estilo simples e sutil.

O DALAI-LAMA
No Budismo Tibetano a autoridade maior é o Dalai-Lama, uma manifestação do Bodisatva da Compaixão. Quando morre um Dalai-Lama, o Estado Supremo de Compaixão passa a manifestar-se em uma criança que será preparada para assumir a liderança espiritual e política do povo do Tibete. Esse título, "Dalai-Lama", foi criado em 1587 por um príncipe da Mongólia com o objetivo de acabar com as disputas entre várias escolas filosóficas budistas, abrindo caminho para um só líder.
Tenzin Gyatso, o 14º Dalai-Lama foi reconhecido aos dos anos com Bodisatva da Compaixão, assumindo em 1950 a condução espiritual e política do povo tibetano. Mas nesse mesmo ano a China invadiu o Tibete, fazendo com o que o líder se exilasse e instalasse sua moradia em Dharmsara. Em 1989, Tenzin Gyatzo recebeu o Prêmio Nobel da Paz por sua campanha pacifista pela libertação do Tibete.
O atual Dalai-Lama já escreveu 50 livros, todos best-sellers sobre a compaixão e a ética. Seu principal tema é a felicidade. Embora represente apenas de uma das muitas vertentes da religião Budista, virou um embaixador da paz, da causa tibetana e do Budismo. Em suas viagens e compromissos por todo o mundo, diz não querer converter ninguém ao Budismo. Para ele, o mais importante é promover o diálogo interreligioso e a paz mundial.

PEQUENO VOCABULÁRIO BUDISTA
· Bodisatva: O ser considerado “iluminado”, que apesar do poder que possui, adia sua entrada no " Nirvana " para poder continuar ajudando na iluminação de outras pessoas.
· Carma: Causas positivas e negativas decorrentes de pensamentos, palavras e ações, nesta vida ou em vidas passadas.
· Darma: É a “Doutrina”, os ensinamentos de Buda que levam ao Nirvana.
· Duka: Sofrimentos e insatisfações provocados pela ilusão dos desejos e apegos.
· Flor de Lótus: Simboliza a bondade e a pureza. É uma planta aquática que finca suas raízes no solo, mas suas flores se abrem acima da superfície da água. Para os discípulos, é o exemplo de como as pessoas também podem se erguer perante as provações para alcançar a iluminação.
· Mandalas: Círculos com símbolos que representam o universo interior, um Buda ou um Bodisatva.
· Mantras: Palavras ou sons que têm um significado não literal, mas espiritual.
· Meditação: Ritual para disciplinar a mente e ficar próximo da iluminação.

Fonte: Revista Espiritual de Umbanda

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...