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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Umbanda e Caridade


Dizem por aí que a Umbanda não é caridade! Que énormal se cobrar pelas palavras amigas de um Preto-Velho, pela energiarevigorante de um Caboclo, pela pureza de uma Criança ou pela proteção de um Exu.Que devemos cobrar pelo que nos foi dado gratuitamente.

A mediunidade é um dom, mais que um dom, umpresente divino. Uma forma de atingir o coração das pessoas mais necessitadas elhes encher de carinho e segurança.

Afinal, a Umbanda também é amor! Amor pelosencarnados e pelos desencarnados.
Amor por ajudar aos necessitados. Amor pelacaridade, pois a Umbanda é acima de tudo amor pela caridade!

Desde que foi revelada pelo Caboclo das SeteEncruzilhadas, a caridade foi colocada como alicerce da Umbanda. Pois a Umbandaé louvação à Deus. E Deus é amor e caridade. E todas as entidades que estiveremdispostas a trabalhar em prol da humanidade terão seu lugar em um verdadeiroterreiro de Umbanda. Afinal, a Umbanda é serviço prestado ao próximo, é seesquecer do orgulho humano e aprender a ser humilde. Aprender a respeitar osofrimento alheio como se fosse o nosso próprio sofrimento.

Ser Umbandista é ter sempre o coração aberto aonovo. Pois a Umbanda é filha do preconceito, e na Umbanda não se deve existirdiscriminação. Somos todos iguais! Em gênero, cor (todos somos da raça humana)e classe social!

Na Umbanda não há distinção entre os encarnados enem entre os desencarnados. Afinal, somos todos filhos de Deus. E todosmerecemos ser tratados com amor e dedicação.

Na Umbanda todos temos o direito de buscar e obtero auxílio necessário para nossa evolução. Pois evoluir é necessário. E não hámeio melhor de se evoluir do que coma prática da caridade, do que sendocaridoso. Como diz Pai Pery, “fazer caridade é importante,ser caridoso com oirmão é essencial”. Ser Umbandista é ser caridoso!

Então meus irmãos, não se iludam! Não se deixemenganar por quem diz que devemos pagar para obter auxílio em um terreiro deUmbanda. Não se deixem enganar por quem diz que a Umbanda é uma fábrica dedesejos e lhes promete tudo com prazos. Pois a Umbanda, também é merecimento.

Seja caridoso meu irmão, e então serás Umbandista.Umbandista de corpo, alma, mente e coração.

Umbandista a serviço da caridade.


Por Matheus Zanon Figueira  - Centro Espiritualista Caboclo Pery

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A Caridade desinteressada nas advertências do Cristo


       
         A caridadedesinteressada nas advertências do Cristo

       Jesusexortou-nos que fôssemos perfeitos em tudo o que fizéssemos, fazendo as coisasque nos competem da melhor maneira possível, sem esquecer de dar de graça ao próximoo que de graça recebemos.

       Jesusjá havia repisado todas as advertências que ele julgara mais necessárias aosdiscípulos e que deviam constituir a base de seu ensino, direcionado a todosque o quisessem seguir.

         Naparábola do julgamento, em que o Divino Senhor separa bodes de um lado eovelhas do outro, deixara claro que o único caminho capaz de resolver oproblema da paz entre os homens era o da caridade porque “fora da caridade nãohá como crescer.”

       Insistiranisso com a bela imagem expressa na recomendação de que não deixássemos que amão esquerda soubesse o que a direita estava entregando ao próximo. “Não saibaa mão esquerda o que dá a vossa mão direita!” Significando isso que nãoficássemos murmurando, arrependidos, sobre todo o bem que houvéssemos feito aonosso semelhante. Tal qual o caso, que Machado de Assis relata,  do comercianterico e do mujique  nas terras geladas da  Rússia.  “Quando ocavalo disparou, o comerciante pensou que fosse morrer. Nada  retinha noseu galope. Se caísse fatalmente morreria. A cabeça bateria nas pedras;inevitáveis o traumatismo craniano e  a morte ao final. Eis senão quando surgeum mujique que, corajosamente, se antepõe ao cavalo, segura-o pelo cabresto eo  faz parar de correr. Foi um milagre! O comerciante, agradecido, tira dacarteira uma nota de mil rublos e, agradecendo muito, passa-a ao camponês. Ocoitado quase caiu de susto. Nunca vira uma nota como aquela! E saiu pulandofeliz, louco pra chegar em casa e mostrar pra mulher e pros filhos a dádivarecebida. Mil rublos! Uma fortuna!

       Ocomerciante, ao vê-lo partir feliz, começou a pensar. “Acho que dei dinheirodemais. Mil rublos? Por que não 500? Ou 200? Talvez o pobre ficasse feliz com100. Ou menos. Quem sabe, 10?... Ele ganha cinco rublos por dia... É... achoque  acabei dando dinheiro demais.”

       Issocostuma acontecer com a gente. Na hora do entusiasmo a gente dá generosamente.Depois se arrepende. E começa a sofrer. Aconteceu comigo. Ninguém me convidavapara ser padrinho de casamento. Meu irmão era padrinho de todo mundo. Eu jáestava acostumado. Casamento? Já sei: meu irmão estará lá. Padrinho de novo. Eujá estava ficando complexado. Será que eu não sirvo para padrinho de casamento?Surpresa! Um dia apareceu um. Fiquei feliz. E prometi logo ao noivo: “dou-teuma geladeira!”.

       Gente,uma geladeira naquela época era um presentaço. Hoje, não. Depois que surgiu a CasaBahia, ela desmoralizou o presente. Qualquer um pode comprar lá uma geladeirapagando 20 reais por mês. Mas naquela época não.

       Mearrependi logo. Mas tive que cumprir o prometido. E tome sofrimento.

          Maisou menos como diz Arthur Riedel, no seu livrinho admirável: “á pessoas queacreditam que quem dá aos pobres empresta a Deus, mas costumam querer saber oque Deus vai fazer com o empréstimo”. Um cidadão pede um real para comprar umpão. A gente dá, mas logo adverte: “Olhe lá, estou dando para você comprar opão. Não vá tomar cachaça não, ouviu?”

      “Aoque se sabe, depois de Jesus não apareceu ninguém que ressuscitasse mortos”

        Outroshá que dão uma oferta à Igreja, ou a uma instituição beneficente, e compram umbilhete de loteria, pensando que vão ter a recompensa divina abocanhando oprimeiro prêmio.

            Outrosdeixam para dar na hora da morte, quando não têm mais como usufruir da fortunaacumulada, e a morte está batendo à porta. Fazem, então, um testamento deixandotanto para o Hospital, tanto para o Asilo, tanto para o Orfanato, tanto para aAPAE.  Deixam, porque não podem levar.

             János havia Jesus advertido, também, sobre a presença, sempre, em todos osmomentos da história, dos chamados falsos cristos e falsos profetas que, utilizando-seda boa fé das pessoas, conduzem-nas para a decepção e a desventura. Não apenasos que se servem da religião, conduzindo pessoas como rebanhos inconscientespara aventuras nefandas ou crimes inimagináveis. Falsos cristos e falsosprofetas, também, na filosofia, na ciência, na política, na indústria, nocomércio, na educação, na saúde, em toda parte. Sempre os houve. Exploradores eexplorados. Por isso nos recomendou fôssemos prudentes como as serpentes e nãoacreditássemos em todos os profetas, verificando antes se eles eram profetas deDeus, pela análise de suas obras.

             Exortou-nosque fôssemos perfeitos em tudo o que fizéssemos. Tal qual o Pai, que é perfeitoem tudo em que o seu poder se manifesta.

          Essaperfeição a que Jesus se referia é uma perfeição relativa. Significa fazermostudo o que nos cabe fazer da melhor maneira possível. Não deixarmos nada semfazer, ou fazer as coisas pela metade, por causa da pressa ou de outro motivoqualquer. É pra fazer? Então façamos da melhor maneira que nós sabemos. Demos omelhor de nós. Melhor, nós não saberíamos fazer. É isso que ele quer de nós.

          Comocoroamento, a recomendação final: “restituí a saúde aos doentes, ressuscitai osmortos, curai os leprosos, expulsai os demônios. Dai gratuitamente o que gratuitamenterecebestes”.

             Umparêntese sobre o “ressuscitai os mortos”. Ao que se sabe, depois de Jesus nãoapareceu ninguém que ressuscitasse mortos. Parece que Pedro conseguiu isso umavez. Houve, sim, depois deles casos de pessoas aparentemente mortas que, derepente, sem que ninguém participasse do fato, voltassem à vida. A literaturaregistra alguns casos. Interessante é o que aconteceu com uma figura conhecidanos meios literários. O Abade Prévost, autor do polêmico livro “Manon Lescaut”,já estava na mesa para o trabalho de necropsia, quando, sob o bisturi docirurgião, readquiriu as energias vitais e acabou se salvando.

               “Ninguémpode fazer da mediunidade profissão, porque ninguém é dono dos espíritos”

                Outrocaso patético é o do célebre poeta Scotto. Ele era cataléptico. Foi enterradovivo durante uma crise, na ausência do servo que sabia de sua doença. Tirado dasepultura, seus familiares verificaram que morrera sufocado, tendo mordido,desesperadamente, os lábios.

               Demorte igual, morreram médicos, poetas, reis e imperadores, sem falar dossupostos mortos enterrados apressadamente nos horrores das epidemias e dasguerras.

               Emmanuel,em Renúncia, nos fala sobre o drama que foi, na França do Século XVII, achegada da varíola aos lares franceses. Não se esperava a pessoa morrer.Enterrava-se logo com medo de a doença alastrar. Muita gente foi enterradaviva.

              Kardecaproveitou a recomendação de Jesus e, no mesmo capítulo XXVI, tratou de preces  pagas, lembrando a advertência do Mestre sobre o mau hábito dosescribas que, a pretexto de orar, devoravam as casas das viúvas.

            Tratouainda do episódio da expulsão dos que vendiam coisas dentro do Templo, numdesrespeito flagrante à Casa do Senhor.

          Masa grande mensagem do capítulo é para o comportamento dos médiuns. Nenhummédium, de nenhuma forma, seja por motivo que for, deve obter vantagemfinanceira ou social do dom que Deus lhe deu para utilização em seu trabalho afavor da Humanidade.

          Ninguémpode fazer da mediunidade profissão. Por uma razão simples. Ninguém é dono dosespíritos. Eles são independentes. Vêm quando querem e quando podem. Não háforça humana capaz de garantir uma comunicação. Foi graças ao mediunismoprofissional que proliferaram casos de fraudes que tanto mal fizeram àdivulgação e aceitação da Doutrina.

             Humbertode Campos conta-nos a história dramática de um médium brasileiro. 

       Azariasera mecânico de automóvel. Grande mecânico e notável médium. Como sempreacontece, em torno de médiuns assim, nasce a adoração e abundam freqüentadoresinsaciáveis. Pessoas interessadas no favor dos espíritos envolvem o médium e oelogiam, e presenteiam, e bajulam e acabam por deles se tornarem donos. Queremutilizá-los, por isso, a qualquer hora. Vai-se a disciplina. Com Azarias deu-seque os tais “irmãos”, para tê-lo permanentemente à sua disposição, tiraram-nodo emprego e lhe fizeram um salário. Cada irmão comparecia com uma parcela dosalário ajustado. No princípio funcionou. Com o tempo, um pára de contribuir;depois outro; após, mais outro e daí a pouco está Azarias sem a ajuda dospatrocinadores e sem o emprego que perdeu. As dificuldades, rápido, batem àporta. Falta comida em casa. A luz, não paga, se apagou. O aluguel também. E asdificuldades se instalaram. Até que Azarias aceita o primeiro pagamento. Depoisoutro, mais outro. Em pouco tempo a desmoralização e o abandono. Os próprioscompanheiros que tanto o bajularam antes e que, afinal, foram os principaisresponsáveis pela sua derrocada, são os que agora dele falam malabertamente.  A obsessão se instala. E o fim amargo se aproxima.

        Por ArthurBernardes de Oliveira.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Fora da Caridade não há Salvação?



O QUE É PRECISO PARA SER SALVO?

PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO
1.   Portanto, quando o Filho do homem vier em sua majestade acompanhado de todos os anjos, se sentará sobre o trono de sua glória; e, todas as nações estando reunidas perante ele, separará uns dos outros, como um pastor separa as ovelhas dos cabritos, e colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda.  Então o Rei dirá àqueles que estiverem à sua direita: Vinde, vós que fostes abençoados por meu Pai, possuí o reino que vos foi preparado desde o início do mundo; pois tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; tive necessidade de abrigo e me abrigastes; estive nu e me vestistes; estive doente e fostes me visitar; estive na prisão e viestes me ver.  Então os justos perguntarão: Senhor, quando vos vimos faminto e vos demos de comer, ou que tivestes sede e vos demos de beber? Quando vos vimos sem abrigo e vos abrigamos e sem roupas e vos vestimos? E quando vos vimos doente ou na prisão e que fomos vos visitar? E o Rei responderá a eles: Eu vos digo em verdade que, todas as vezes que fizestes isso a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes.  Ele dirá em seguida àqueles que estiverem à sua esquerda: Separai-vos de mim, malditos; ide ao fogo eterno, que foi preparado para o diabo e para seus anjos; pois tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber; tive necessidade de abrigo e não me abrigastes; estive sem roupas e não me vestistes; estive doente e na prisão e não me visitastes.  Então, eles assim responderão: Senhor, quando vos vimos ter fome, ter sede, ou estar sem abrigo, sem roupas, ou doente ou na prisão, e que não vos assistimos? Mas ele responderá: Eu vos digo em verdade que, todas as vezes que deixastes de dar assistência a um desses pequeninos, deixastes de fazê-lo a mim mesmo.
E então estes irão para o suplício eterno, e os justos para a vida eterna. (Mateus, 25:31 a 46)
2.   Então um doutor da lei, se levantando, disse-Lhe para tentá-Lo:
Mestre, o que devo fazer para possuir a vida eterna? Jesus lhe respondeu: O que está escrito na lei? Como lês? Ele Lhe respondeu:
Amareis ao Senhor vosso Deus de todo o vosso coração, de toda a vossa alma, de todas as vossas forças e de todo o vosso Espírito, e vosso próximo como a vós mesmos. Jesus lhe disse:
Respondestes muito bem; fazei isso e vivereis.
Mas este homem, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus:
E quem é meu próximo? E Jesus, tomando a palavra, lhe disse:
Um homem que descia de Jerusalém a Jericó caiu nas mãos de ladrões, que o despojaram, cobriram-no de feridas e deixaram-no meio morto. E eis que de repente um sacerdote passava pelo mesmo caminho e que, tendo-o notado, passou bem longe. Um levita, que também vinha pelo mesmo lugar, vendo-o, também passou longe. Mas um samaritano que viajava, passando pelo lugar onde estava esse homem, e tendo-o visto, ficou tomado por compaixão. Aproximou-se então dele, passou azeite e vinho em suas feridas, e as enfaixou; e, pondo-o sobre seu cavalo, levou-o a uma estalagem e tomou conta dele. No dia seguinte, tirou duas moedas, que deu ao hospedeiro, e lhe disse: Cuidai bem deste homem, e tudo o que gastardes a mais, eu vos restituirei em minha volta.
Qual destes três vos parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos ladrões? O doutor Lhe respondeu: Aquele que usou de misericórdia para com ele. Ide, pois, lhe disse Jesus, e fazei o mesmo. (Lucas, 10:25 a 37)

Confesso que sempre me fez uma certa confusão a forma como algumas vezes já vi ser interpretado o Capitulo XV do Ev.S. Esp.. Em primeiro lugar que "Caridade" é esta a que se refere o Evangelho? Em minha modesta opinião só pode ser a mesma "Caridade" que Paulo de Tarso refere em Corintios, XIII;1-7 e 13, ou seja uma caridade descomprometida, sem esperar nada em troca.
Fazemos Caridade, porque sofremos com o sofrimento dos nossos irmãos. A verdadeira caridade só o será quando fizer parte da essência do ser humano, quando fôr levada e fizer parte integrante do ser humano.
Por isso não podemos concordar quando se conclui, como já ouvimos várias vezes, "se fora da caridade não há salvação, então vamos fazer a caridade para nos salvarmos." Honestamente pensamos que esta conclusão está errada. É que a salvação não é uma causa da caridade é, isso sim, a consequência natural daquela. E a caridade não também ela um meio para atingir um fim! Fazemos caridade porque sofremos com o sofrimento do próximo, não porque pensamos primeiro que ela nos pode salvar. A salvação é uma consequência da caridade e não uma causa.
Ao conseguir aliviar a dor do próximo sentimos uma imensa alegria invadindo nosso intimo.  Tornamo-nos mais leves e iluminados, e meus irmãos, se isto não é a presença de Deus em mim, não consigo descrever o que mais seria.
Agora, se somos capazes de, ao ajudar o próximo, produzir uma energia tão luminosa no mundo, imaginem se todos pudessem praticar a caridade naturalmente, como seria iluminado nosso pequeno planeta.  Creio realmente que caminhamos para isso.
O amor incondicional é que deve ser o motor que promove a força de vontade em se praticar a caridade, assim penso. Agora o que me intriga são as palavras do mestre, as quais devem ser levadas em conta, antes de quaisquer outras. Nestas entendemos que mesmo que ainda não tenhamos atingido um estágio onde o amor se manifeste naturalmente e de forma incondicional, devemos praticar a caridade sempre!
Salve a Caridade! Salve o Amor Incondicional!

            Denis Sant’Ana   .’.   \|/   سلام

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A Caridade


Sem a caridade, tudo, na Terra que povoamos, seria o caos do princípio.

A ciência ateará sempre a chama da palavra nos lábios humanos, erguendo pedestais à inteligência; mas, sem a caridade de Jesus, que alimenta o corpo e sustenta a vida, debalde se levantarão púlpitos e monumentos.

Todos os patrimônios que enriquecem o homem forma acumulados pela graça do Senhor, considerando o progresso em seus alicerces profundos.

A caridade divina é tangível em toda parte.

Caridade é o ar que respiramos, a luz que nos aclara os caminhos, o grão que nos supre de forças, o pano que nos envolve, a afeição que nos acalenta, o trabalho que nos aperfeiçoa e a experiência que nos aprimora.

O mundo inteiro é uma instituição de amor divino, a que nos acolhemos para amealhar a riqueza do futuro. A caridade é a coluna central que o mantém. Sem ela, que exprime paciência e humildade, serviço e elevação, a máquina da vida paralisaria em todas as peças. Sem ela, os santos mofariam no paraíso e os pecadores clamariam, desesperados, no inferno; os fortes não se inclinariam para os fracos, nem os fracos vicejariam ao contacto dos fortes; os sábios apodreceriam na estagnação, por ausência de exercício, e os ignorantes gemeriam, condenados indefinidamente às próprias trevas.

Mas a bendita sentinela de Deus é o Anjo Guardião do Universo, e nunca relega as criaturas ao desamparo, ensinando que a vitória do bem, com ascensão para a luz, é sempre obra de cooperação, interdependência e fraternidade.

A estátua não desfrutaria o louvor da praça pública sem a caridade do material inferior que lhe assegura o equilíbrio na base; a luz não nos livraria das sombras se a candeia acesa no velador não lhe dirigisse os raios para o chão.

O solo aceita as exigências do rio que o desgasta, incessantemente, e, com isto, a escola terrestre permanece viva e fértil; a semente conforma-se com o negrume e a soledade na cova e, assim, a mesa tem pão.

Sem obediência às normas da caridade, que exalta o sacrifício de cada um para a bem-aventurança de todos, qualquer ensaio de felicidade é impraticável.

Somos todos filhos da Graça Divina e herdeiros dela, e, para santificarmos a vanguarda do progresso, é imprescindível dar de nós mesmos, em oferta permanente ao bem universal.

Todo egoísmo está condenado de início.

A água, sem proveito, putrefaz-se.

O arado inativo é carcomido pela ferrugem A flor estéril torna ao adubo.

O espírito permanentemente circunscrito ao estreito circulo de sí mesmo é castigado com a desilusão.

Recebendo as bênçãos do Céu, através de mil vias, a cada instante da experiência no corpo, o homem que não aprendeu a dar, em auxílio espontâneo aos semelhantes, é louco e infeliz.

Multipliquem-se palácios para a administração e para cultura do cérebro; mas, enquanto a porta do coração não se descerrar ao toque do amor fraterno, a guerra será o vulcão espitirual do mundo, devorando a Paz e a Vida. Descubram-se preciosos segredos da matéria e entoem-se cânticos de triunfo no seio das nações gloriosas da Terra; mas, enquanto o homem não ouvir o apelo suave da caridade, para fazer-se verdadeiro irmão do próximo, o solo do Planeta permanecerá empestado de vermes e encharcado de sangue dos mártires, que continuarão tombando a serviço da divina virtude em intérmina caudal.

Livro: Falando à Terra

Emmanuel & Francisco Cândido Xavier

         UMBANDA & CARIDADE

Dizem por aí que a Umbanda não é caridade! Que é normal se cobrar pelas palavras amigas de um Preto-Velho, pela energia revigorante de um Caboclo, pela pureza de uma Criança ou pela proteção de um Exú. Que devemos cobrar pelo que nos foi dado gratuitamente.

A mediunidade é um dom, mais que um dom, um presente divino. Uma forma de atingir o coração das pessoas mais necessitadas e lhes encher de carinho e segurança.

Afinal, a Umbanda também é amor! Amor pelos encarnados e pelos desencarnados.

Amor por ajudar aos necessitados. Amor pela caridade, pois a Umbanda é acima de tudo amor pela caridade!

Desde que foi revelada pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, a caridade foi colocada como alicerce da Umbanda. Pois a Umbanda é louvação à Deus. E Deus é amor e caridade. E todas as entidades que estiverem dispostas a trabalhar em prol da humanidade terão seu lugar em um verdadeiro terreiro de Umbanda. Afinal, a Umbanda é serviço prestado ao próximo, é se esquecer do orgulho humano e aprender a ser humilde. Aprender a respeitar o sofrimento alheio como se fosse o nosso próprio sofrimento.

Ser Umbandista é ter sempre o coração aberto ao novo. Pois a Umbanda é filha do preconceito, e na Umbanda não se deve existir discriminação. Somos todos iguais! Em gênero, cor (todos somos da raça humana) e classe social!

Na Umbanda não há distinção entre os encarnados e nem entre os desencarnados. Afinal, somos todos filhos de Deus. E todos merecemos ser tratados com amor e dedicação.

Na Umbanda todos temos o direito de buscar e obter o auxílio necessário para nossa evolução. Pois evoluir é necessário.

E não há meio melhor de se evoluir do que coma prática da caridade, do que sendo caridoso. Como diz Pai Pery, “fazer caridade é importante,ser caridoso com o irmão é essencial”. Ser Umbandista é ser caridoso!

Então meus irmãos, não se iludam! Não se deixem enganar por quem diz que devemos pagar para obter auxílio em um terreiro de Umbanda. Não se deixem enganar por quem diz que a Umbanda é uma fábrica de desejos e lhes promete tudo com prazos. Pois a Umbanda, também é merecimento.

Seja caridoso meu irmão, e então serás Umbandista. Umbandista de corpo, alma, mente e coração.

Umbandista a serviço da caridade.


Por: Matheus Zanon Figueira

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